agosto 20, 2008

Monteiro Lobato e o Visconde (para André Valli)

– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?
(Monteiro Lobato)

3 comentários:

Almanaque disse...

estrela cadente
que pousa na flor?
ah! um vaga-lume...

BETO PALAIO disse...

Panis,

Com certeza você esteve na festa dos vagalumes em Lowell, Massachussets... Justamente a cidade onde nasceu o Jack Kerouac... Por mera coincidência também estive por lá. Veja:

Um milhão de vagalumes
Dançando jump-jack-flash
Nos campos de Lowell

Heloise disse...

Pisca e abre o olho pra ver escritos tão sensíveis.