setembro 30, 2011

DOIS JOVENS PROMISSORES MORREM NA PRIMEIRA
GUERRA MUNDIAL, AMBOS SÃO ARTISTAS. UM DELES
COMBATEU PELA ALEMANHA (AUGUSTE MACKE), O
OUTRO PELA FRANÇA (HENRI GAUDIER-BRZESKA).

AUGUSTE MACKE.

Homens pescando - Auguste Macke - 1913


O CIRCO


Fui com o circo de vez.
Quando me apresentarem
o homem do turbante
vai dizer como executo
um número importante:
“Se subir é difícil,
descer é bem pior!”
E o rufo do tambor
a engrossar o tremor
nos assentos de pau,
nos remendos da nau
que partirá amanhã
em mudança, onde haverá
sempre alguém a dizer:
(o baixinho é bom artista,
não vá alguém ouvir)
Vou partir com o circo,
desta vez eu vou mesmo,
ninguém me irá deter.


Entrem, entrem,
meus senhores, entrem!
O maior e mais belo
espetáculo já visto
não tarda a começar!!


(Trecho de um poema de Auguste Macke)


HENRI GAUDIER-BRZESKA

Gaudier-Brzeska - Cabeça de Ezra Pound - 1914


VORTEX GAUDIER-BRZESKA



JÁ ESTOU LUTANDO HÁ DOIS MESES e posso agora

captar todo o drama da vida.


MASSAS HUMANAS agitam-se e passam, são destruídas

para renascerem novamente.


CAVALOS apesar das aparências, são fracos, ficam

esgotados em duas semanas, depois morrem à beira

dos caminhos.


CACHORROS andam por aí todo tempo, também são

metralhados, um ou outro sobrevive, e ficam vagando

com fome, aqui e ali.


...COM TODA ESSA DESTRUIÇÃO EU NOTO QUE NADA

MUDA A SUPERFICIALIDADE HUMANA.


(De uma carta enviada do front para Ezra Pound

por Gaudier-Brzeska)



Macke morreria aos 27 anos, em setembro de 1914, no front alemão.
Gaudier-Brzeska morreria aos 23 anos, dia 5 de junho de 1915, no front francês.

setembro 27, 2011


Uma viagem pelo acervo e o bom gosto de José Mindlin.

setembro 24, 2011

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CASA GRANDE & SENZALA & MODELITOS

Como já se fazia alta a manhã. E ninguém aparecera para o trabalho. O autor foi bater palmas na casa dos personagens. Um menino mulato, com feições finas, aparentando não mais que dez anos de idade, veio atender ao portão. “O que o senhor quer?”. O autor explica ao menino, mas sem entrar no cerne da questão: “hoje eu tenho um tema muito interessante, preciso acordar os personagens... Acorde todos eles para mim”. O menino fica sem entender. “Mas acordar quem? Não tem ninguém aqui”. O autor afasta gentilmente o garoto e adentra a casa dos personagens. Entra na sala e sente um bafio de estranhamento. Vai num quarto, tudo vazio. Vai ao outro quarto, idem. Depois volta para a sala onde está o menino, e ele parece não entender o que se passa, mas lhe fala: “eu avisei ao senhor que não tinha ninguém aqui”. O autor está confuso: “mas onde foi todo mundo?”. O menino elucida pelo menos isso: “acho que todos foram para a Casa Grande... O senhor já foi lá?”. O autor dá de ombros, fica inconformado, mas decide ir imediatamente até a Casa Grande, para isto ele atravessa uma ponte, dois lugarejos palustres, mais uma ponte, dessa vez uma ponte rústica, feita de toras de madeira, depois passa por um vilarejo com muita criança e cachorros magros nas ruas, depois ele segue por um caminho ao aprisco de uma perfumada mata de abricós, depois percorre uma estradinha de terra onde, ao lado direito, há uma chácara em que o sitiante fez um imenso cercado de bambu, depois o autor sobe uma ladeira flanqueada de árvores frondosas e desce por um caminho obscurecido por uma floresta tropical, onde ao fundo dele, bem ao lado de uma fonte natural, existe uma imensa pedra de granito a qual os moradores dizem ser assombrada, nisto o autor coloca o ouvido numa das faces da pedra para tentar ouvir a mulher que chora, mas não ouve nada, pois segundo dizem a mulher chora somente à meia-noite em ponto, por fim, sempre seguindo em frente, surge-lhe uma primeira visão da Casa Grande, longe ainda, por trás de muitas folhas de coqueiros e bananeiras, quando o autor já deixa para trás a mata fechada, ainda por um caminho estreito, e súbito encontra-se com um cavaleiro trajado com excessos de couros e levando uma espingarda às costas enquanto manobra um cavalo estreleiro e arisco. “Que quer o senhor por estes lados?”, pergunta o cavaleiro que logo se apresenta como Antão de Sá, um feitor de escravos que também faz as vezes de capitão-do-mato, um temido intendente de polícia da Casa Grande, na verdade um caçador de escravos fugidos na região. “Senhor Antão, eu procuro pelos meus personagens... Eles fugiram de mim... É o que parece”. Ao citar a fuga, Antão de Sá, calejado na especialidade de buscar escravos fujões, acalma o autor: “todos eles fogem um dia, ou pelo menos tentam fugir... O senhor trata mal os seus escravos?”. Ele diz ao Sr. Antão que não são escravos os seus personagens, que antes, ele, o autor, é que se sente escravo deles, e afirma-lhe que eles são seus funcionários, que trabalham para ele, mas nunca em regime de escravidão. “Não entendi não senhor”, disse coçando o cabelo encaracolado o feitor e capitão-do-mato Antão de Sá. Ocorre que ele, como que adivinhando do conto ser estória curta de não poder ser esticada como se fosse um romance de José de Alencar, o feitor de escravos resumiu assim a questão: “nada sei dos seus personagens... Mas a Casa Grande está sem o chefe, que viajou... Sim, o fazendeiro Aloe Nassau Veras saiu da fazenda dizendo que iria à capital Recife para tratar de uns assuntos de herança, lá dele... Antes de sair ele encarregou Gervázio de Azevedo, o Peralta, como seu substituto... O Gervázio é que está com plena autoridade para cuidar da Casa Grande... Mas o Gervázio também se ausentou por uns dois dias... Coisa da mãe dele, Dona Maricotinha, ficar doente numa vila aqui perto... Mas ele deixou o Calói, um rapaz aprendiz de olaria, como seu auxiliar e responsável pela Casa Grande no caso de sua ausência”. Como o autor viu que iria perder tempo na Casa Grande, e tendo ainda de escrever uma matéria para um jornal do Rio de Janeiro sobre a Fashion Week de São Paulo, pediu licença ao feitor de escravos Antão de Sá: “com vossa licença, Sr. Antão”, e com pressa, saiu por um cortinado esverdeado, repleto de musas sorridentes, que fica bem ali, ao lado de um nicho de samambaias, cheio de carrapichos e trepadeiras, por trás do qual, já esperando pelo autor, está estacionado um taxi que o levará direto ao aeroporto de Guararapes, onde ele tomará um avião para São Paulo e irá assistir ao desfile de modelitos na inauguração da Fashion Week.


Beto Palaio





setembro 22, 2011

A DEUSA DIANA EM COPACABANA

Plumas de luzes. Limas descascadas exalando sumos. Lívido saltitar de clarões. Lanhos da generosa fruta. Lumes na espuma do mar. À chama de imensa alma pura. Frisos de danças flamejantes. Estava despontando o sol. Será luz ainda esse tapete de mar? Misto de encenação em mão-dupla. Ou será mar ainda esse tapete de luzes? O irreal é sempre embriagante. Mesmo as ondas construtivistas, preto no branco, nas calçadas de Copacabana. Onde uma eleita finge-se de estátua. Ela é uma moça formosa, totalmente nua, pintada de cores, uma só, ao corpo inteiro, a cor prateada. Fazia isso para sobreviver no Rio de Janeiro. Um palco para o fingimento de que é uma deusa grega. Uma Diana, deusa da caça, abusando do arco e flecha. Seu arco está tensionado, com uma flecha pronta para disparar, e mais flechas estão guardadas em alforje de caçadora. Dependurado no seu ombro. Tudo pintado na cor prata, menos o olho que escapava de se tornar, também, escultura. Onde um pedestal elucida. Diana é, mil e um, espelhos. Do sol. Um caleidoscópio de ilimitadas facetas. Um, mil, vários milhares de espelhinhos, reverberação da prata, em cabeça, tronco e membros. Ela, Liz Clara, a Diana, andava cansada de posar como estátua viva, cercada por curiosos que não lhe ofereciam nada. Um povo apressado em seu mundinho transilvânico, passando por ali como numa festa, turistas em despedidas, ou festivos, lambendo sorvetes, melados de protetor solar, seus flashs ocasionais. Outros nem tanto, caras conhecidas, gente humilde, trabalhadores em escritórios, balconistas, merendeiras, vendedores de salgadinhos e mate gelado em tambores de alumínio. E os infalíveis, por fim, pentelhos, zoando, tirando sarro, torcendo para que a deusa Diana falhasse. Vindo a perder a mão e soltar a flecha em alguém. “Quer flechar meu coração, boneca?”, um sujeito branquelo, com cara de viciado em crack, que rodava o tempo todo uma pedra de gelo dentro de um copo de caipirinha. A moça Liz Clara, que finge ser a deusa do amor, sabe do tempo que rege tudo. De tanto observar o mundo de forma estática. Ela conhece os movimentos e duração de qualquer ato humanamente possível. “Uma pedra de gelo demora vinte e sete minutos para derreter totalmente”, ela pensa seguindo o homem do copo com o canto de olho. A flecha é de mentira, mas seus olhos fuzilantes estão aqui. Copacabana é uma cadeia a céu aberto. Crimes para criar asas. Morcegos aqui, de ponta cabeça, pombos lá, sem cabeça. “Tente facilitar Nossa Senhora de Copacabana!”. Nossas perdas, algumas dela mesma, nenhuma. “Meus olhos foram feitos para apagar tudo o que é ruim”. Ela revela. A um moço loiro. Para o rapaz que aprecia a sua mantilha de tintas prateadas. Ela conta tudo. Que viera de Recife. Morou lá até estudar Letras. Esse moço loiro disse que também era poeta: “moro no Edifício Capanema, ali quase todos são artistas... Não quer conhecer meus poemas e livros?”. Esse jovem a cativava. Ia e vinha. Por vezes sumia. E quando o moço loiro sumia, ela não era mais Diana que prestasse. Ficava avoada, com a flecha vazia na mão. Ela afirmava que sim. Como um estúpido cupido. Liz Clara, a Diana, sabia que toda mulher aspira tornar-se caçadora. Sofria pela ausência dele. Então o moço apareceu num Abril, às dez e trinta e cinco da manhã de uma quinta-feira cedo. Sorria muito para ela. “Venha sair do sol, Diana”. Ele não a chamava ainda pelo nome. Era a única pessoa em Copacabana para quem ela revelaria seu verdadeiro nome. Tinha prazos com ele. Ela que já sofrera na mão dos homens. Lembranças brutas do Recife. Ao seu lábio mordente, a gulosa, cobiça pós-adolescentes, em mando, das proximidades, ímpares. "Assim não...”. Quando Diana é mais reclusa, ou sem destino ainda. Liz Clara passou além da felicidade, na sua antiga escola primária, onde taradinhos, dois ou três forçando, de ansiedade, raiva, tesão injustificada, no rapto, eles no cio, ela não. Partiu de Recife num comboio hippie. Dormiram em praias. Complementos de um teto, senão o das estrelas. Veio namorando um menino negro. Eles salgados de tanto mar e beijos. No Rio, perto de Búzios, se separaram. Agora aquele moço loiro, com seus olhos verdes, debruçados sobre o seu todo prateado. “Você disse que se chamava Isolda. Porque isso? Espera que eu diga que me chamo Tristão?”. Assustada, com, ou sem, respostas. “Mas eu sou mesmo Isolda”, mentiu ela que era, também, toda olhos, por trás da máscara de tinta prateada. “Então devo conquistá-la para o meu rei?”, disse o rapaz, já sentado no pedestal, bem perto dela. “Que rei é esse?”, ela pergunta, mas logo entende tudo de regências, pois o moço bonito aponta para si mesmo: “o rei está dentro de mim”. Lindo isso! Tanto que. Liz Clara treme. Como se não existisse o suportado, momentos assim, sentir o que sentira. Olhou para o lado. “Amar é isso?”, pensou. Mas desconversou, subitamente, do moço. Seus anseios estavam confusos. Ela nua. Coberta de tinta. Os seios pintados de prata. Púbis coberto por tênue biquíni pintado também de prata. Sua alma se derretendo para o moço. “Será amor?”. De onde ela retiraria forças para ser um anjo tentador, e se ele a visse apenas como uma vagabunda, e a levasse aos porões do Edifício Capanema? Liz Clara teme por isso. “E se ele levar-me ao porão?”. Ela se recorda do estupro em Recife quando três rapazes a carregaram para o porão da escola. Mundo cão, com caninos babentos de machos. Ela treme só de pensar. “Não”, ela diz, sem pensar. Sente uma cisma de roedores. Detesta os ratos que se escondem nos homens. “Não”, ela repete. Ela agora sente fome. No entanto está com o moço que gosta. Quer dizer isso a ele. Mas não diz. Ela descera do pedestal e estavam sentados na mureta da praia de Copacabana. Seu corpo de deusa grega completamente pintado. “Vou fazer pipi”, disfarçou ela. E sem pedir licença atravessou a avenida para entrar na lanchonete do outro lado. Ali ela pediu uma bebida energética e um pãozinho com manteiga. O moço que serve o balcão pergunta, todo sorrisos: “e aí, Deusa, tá tudo bem? Alguma novidade?”. Ela fica quieta. Num segundo ela é prisioneira de seu próprio passado. Seus parentes judeus ainda estão lá no Recife, e sequer sabem dela. Uma luz difusa nos mangues. Ali vegetam. Uma outra raça de brasileiros. Pessoas com o corpo completamente tomado pela lama, caçando caranguejos nas locas do Capibaribe. Os portões de ferro do internato de moças. A cor prata que ela escolheu para ser a caçadora. As mãos de seu pai cruzadas sobre o peito no caixão fúnebre. O estupro. Suas leituras na sala silenciosa da biblioteca do convento. Seu interesse pelo moço loiro. Seus medos. Ela se lembra de tudo. “Quando era menininha pensava que o mar surgisse de um buraco que Deus abrira. Uma fonte imensa de água salgada”, pensou Liz Clara tomando um energético, sentada no tamborete daquele bar na beira da praia de Copacabana. Depois olhou para o outro lado da avenida, o moço loiro ainda estava lá, acenando para ela.

Beto Palaio

setembro 16, 2011


Rain – The Beatles

A CHUVA

A chuva derrubou as pontes. A chuva transbordou os rios.

A chuva molhou os transeuntes. A chuva encharcou as

praças. A chuva enferrujou as máquinas. A chuva enfureceu

as marés. A chuva e seu cheiro de terra. A chuva com sua

cabeleira. A chuva esburacou as pedras. A chuva alagou a

favela. A chuva de canivetes. A chuva enxugou a sede. A

chuva anoiteceu de tarde. A chuva e seu brilho prateado. A

chuva de retas paralelas sobre a terra curva. A chuva

destroçou os guarda-chuvas. A chuva durou muitos dias. A

chuva apagou o incêndio. A chuva caiu. A chuva

derramou-se. A chuva murmurou meu nome. A chuva ligou o

pára-brisa. A chuva acendeu os faróis. A chuva tocou a

sirene. A chuva com a sua crina. A chuva encheu a piscina.

A chuva com as gotas grossas. A chuva de pingos pretos.

A chuva açoitando as plantas. A chuva senhora da lama. A

chuva sem pena. A chuva apenas. A chuva empenou os

móveis. A chuva amarelou os livros. A chuva corroeu as

cercas. A chuva e seu baque seco. A chuva e seu ruído de

vidro. A chuva inchou o brejo. A chuva pingou pelo teto. A

chuva multiplicando insetos. A chuva sobre os varais. A

chuva derrubando raios. A chuva acabou a luz. A chuva

molhou os cigarros. A chuva mijou no telhado. A chuva

regou o gramado. A chuva arrepiou os poros. A chuva fez

muitas poças. A chuva secou ao sol.


Poema de Arnaldo Antunes

setembro 13, 2011



☺☻3☻Tentou muito. Tentou arduamente se lembrar. Afora uma especulação absurda, de uma fieira de eventos passados. Em brancas nuvens, os trinta dias contados, caindo delas. Como um amnésico, em risco de lembrar, se esquecera dos fatos. Neste Setembro escorregadio, de nuvens em friagens, embromadas. Lá ele veio, para cá, para o fato, de sempre. Do acontecer em floreiras e caules e fruteiras. Santo que santo é o frade, calado, consentindo. Abriu seu verbo pecadoribus adentro, rezadeiras, de curas. Um corredor imenso dentro de um outro corredor, dentro de outro ainda. Por fora uma parede caiada, ali, no intramuros, sem infinitos. Um rio de paredes brancas e um ninho encravado numa de suas lápides de arrimo. Nasce um horizonte ao longe, em perspectiva, de prateleiras, crias e caramelos. As tetas das cachorras, espremem, alentam, filhotes. Tios e tias e tios e tias e tios e tias e tios e tias. Nenhum que lhe servisse colo para almofada. Um bode, cantou, um cão, trinou, um lorde. Além da cerca do vizinho São Sebastião do Mar Afora. Rio, rio, rio, rio, rio, rio, rio, rio, rio, rio, rio. E outros gargalham, um perfume adocicado de cana no engenho. O anjo caiu aqui num Setembro, de todos, tão igual, no florido. Um candeeiro, dois candeeiros, três ganidos. Shiva, guaraná, bala de revólver, onde se anda a pé, Canudos. Mais que uma criatura, uma fome de curaus e canjiquinhas. Um pote de água da bica e dois acarajés em arremate. Angelicamente dispostos, cachimbas, pilhas, em fila indiana. Pai com pai, mãe com mãe, filho com filho. A cantilena adentrou a noite. O turista aprendiz por falta de mais uma, textura, em jirau. Para um tétano, no arriscado dormir, sob a armadura de ferro, da extinta janela. Garatujas de branco sobre branco, intentos, rendilhados, sensuais. A fumaça do engenho de cana, ainda, apesar da noite alta, entontece. Luas, lá, e cá.☺☻♂☻






texto: beto palaio

ilustração: fernando vilela

exposição: família borges

setembro 07, 2011

CITY OF WEBS

By

Michael Basinski


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